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411 Anos da Messejana. Em grande estilo, reabrindo o casarão Secular Paroquial com linda apresentação de quarteto  da camerata Unifor. 

 

 

Tudo começou com a Primeira missão evangelizadora do Padre Francisco Pinto, onde fazia sua catequese com os índios aos arredores da Igreja Matriz.  

A fundação de Messejana remota a primeira Missão Jesuítica do século XVII, quando os missionários Luís Filgueira e Francisco Pinto atuam no Ceará; surgindo aldeamentos no território de Fortaleza. Os índios Potiguares denominam a “Aldeia Paupina” que vem a ser uma homenagem ao Padre Pinto ou “Pai Pina” como era chamado pelos índios; isto representa um capítulo singular dos Jesuítas no Brasil, pois uma aldeia recebe o nome de um missionário.

 

 

O Padre Pinto “dominava” a língua Tupi e amável no trato com os nativos ao ponto de receber extrema veneração, de modo que os seus despojos foram enterrados na primitiva ermida católica que se tornou a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Desde a fundação nuclear em 08 de março de 1607 até os dias atuais a Matriz representa a construção histórica dos 406 anos de Messejana.

 

 Restauro da Matriz de Messejana foi patrocinado pelo Grupo Edson Queiroz através das indústrias Nacional Gás e Tintas Hipercor que ofereceu uma pintura especial com o seu “programa setorial da qualidade” voltado para o mercado imobiliário de alto padrão. O interior da Matriz recebeu “a predominância de tons verdes que caracteriza o ambiente natural e que assim faz um resgate do aldeamento indígena da Paupina, na parte exterior se manteve a caracterização mais eclesial e tradicional de referencia da Matriz”, declara o Pesquisador Adauto Leitão que foi o mediador com a Hipercor e conseguiu incluir a Matriz no roteiro das edificações que a indústria vai promover restaurações no Ceará junto com o Curso de Arquitetura da Universidade de Fortaleza.

 

 

Colaboração - Prof. Adauto Leitão de Araújo Junior. (Pesquisador responsável pelo Memorial Pe. Francisco Pinto – Matriz de Messejana).


Lembranças do "Campo do Salgado" e de um de seus ótimos jogadores


São recordações do "Campo do Salgado" e do "Pinha", um dos ótimos jogadores da época em Fortaleza, algumas já registradas no livro "O Big Brasa e Minha Vida Musical", de minha autoria. E algumas palavras sobre o Contato com um jogador do Salgado da Gama, que brilhou em Fortaleza e em outros estados do nordeste.

 

O "PINHA"

 

José Deusimar Moreira Pontes é o seu nome, conhecido como "Pinha". Aproveitando o aniversário do Salgado da Gama me lembrei de escrever um pouco sobre este jogador, que além de ter sido nosso vizinho e amigo de infância, foi um excelente jogador de futebol. Chutava bem com os dois pés, com se diz, tinha potência nos chutes e era a atração dos nossos colegas, com menos idade, mas que eram aficionados pelo futebol e que jogavam sempre nas peladas do bairro e particularmente, no "campinho", perto de nossa casa, em Messejana.  

 

Quando cheguei a Messejana para morar, um de nossos programas de final de semana era ir até o Campo do Salgado e assistir as partidas. Certamente os dois times – o Salgado da Gama e o Messejana Esporte Clube possuíram bons atletas, mas o de maior destaque, pelo menos em minha ótica e pelo que posso recordar era o "Pinha". Lembro que depois do Pinha ter ficado conhecido aqui em Fortaleza, foi contratado pela América Futebol Clube. E pelo América tenho a recordação de um de seus gols magníficos, marcado por ocasião de um "Torneio Início" de campeonato cearense, no Estádio Presidente Vargas. Com um chute da intermediária, à meia altura, ele simplesmente aniquilou o goleiro adversário. O gol foi no lado oposto da conhecida placa do Guaraná Wilson. Quem presenciou o período deve se lembrar bem. Posteriormente foi cedido para um dos times de São Luís, Maranhão, aonde chegou a ser citado na imprensa local como o "Pelé do Ceará".

 

Pequeno trecho extraído do livro "O Big Brasa e Minha Vida Musical":

 

"Em 1963 ocorreu nossa mudança para Messejana, um pequeno e maravilhoso distrito a oito quilômetros de Fortaleza, de clima saudável, o que veio a constituir um marco importante em nossas vidas. Trouxe-nos muita sorte e felicidade, principalmente pelo meu pai ter realizado um de seus sonhos, o de comprar uma casa própria em Fortaleza. Em princípio voltei-me para a gandaia. Muitos colegas para brincar, jogar bola e malandrar. Tudo o que faltava em São José dos Campos apareceu de repente. Aí eu passei uma boa temporada, mais ou menos um ano, sem querer saber de música. Dava um trabalho danado para a mamãe e só queria jogar futebol de salão, de campo, tudo. Fui campeão de Futebol de Salão pelo Colégio Cearense em 1965, jogando como goleiro e também como atacante.

 

 O "Zé da Senhora", também jogador do Salgado da Gama: Com 14 anos fui contaminado outra vez pela música. Depois das brincadeiras de dublagens, quis aprender a tocar violão. Logo consegui adquirir um, de tamanho médio, mas não sabia nem mesmo afiná-lo. Descobri que em nossa rua, a José Hipólito, morava o Zé da Senhora, que era um jogador de futebol do Salgado da Gama, time de Messejana, que sabia tocar violão e me ensinou a afinar e a tocar os primeiros acordes. Uma de suas músicas prediletas era a Marcha dos Marinheiros. Nas primeiras semanas eu devo ter perturbado muito o Zé da Senhora, porque quase todas as tardes passava na casa dele para que conferisse a afinação do instrumento e tocasse alguma música. Daí voltava para casa e tentava repetir tudo até aprender.

 

Muita gente não sabe como surgiu o apelido “Beiró”, através do qual fiquei conhecido no meio musical.

Foi assim: em Messejana, de 13 para 14 anos eu gostava demais de jogar bola. Fizemos um campinho de futebol num terreno em frente à nossa casa e, depois que chegava do Colégio Cearense, corria para lá e passava a tarde inteira no “racha”. A mamãe, quando tinha que me chamar, à distância, gritava “João Ribeiroooooo”, estendendo a terminação da palavra, de modo que o que se ouvia a distância era apenas o “beiroooooo”. E assim, por brincadeira, um vizinho nosso, o Pinha, começou a me chamar somente de “Beiró”, como soava o chamamento de minha mãe. Daí o apelido pegou e fiquei conhecido assim durante o período musical de minha vida.

 

João Ribeiro da Silva Neto – Portal Messejana

 







Inaugurado no início dos anos 60, o Balneário Clube de Messejana notabilizou-se pelos eventos bucólicos à beira da Lagoa de Messejana.


As festas aconteciam geralmente aos sábados, já que na época a sexta-feira ainda não reinava absoluta no final de semana. Bandas de baile famosas na cidade como Alberto Mota e seu conjunto, Ivanildo e seu conjunto, Paulo de Tarso e Ivan e seu conjunto eram as opções da época.

Eram conjuntos como se chamava na época assentados numa formação basicamente de metais, saxofone, piston, trombone de vara, um contrabaixo acústico, e um violãozinho elétrico fazendo umas marcações bem tímidas, ligado em um amplificador que mais parecia um rádio antigo daqueles valvulados. Guitarra elétrica nem sonhar, isso nos idos de 1963, 1964. O repertório consistia de rumbas, merengues, mambos, boleros, foxtrotes, sambas canções, samba tradicional e coisas bem ao gosto das festas da época

 

Orquestras de renome internacional como Tobias Troisi e Casino de Sevilha também marcaram presença no Balneário que consistia de uma entrada coberta com uma lâmpada fluorescente, e uma área que fazia às vezes de salão de danças e quadra de esporte. Decorativo mesmo só a lagoa com seu visual bucólico e inspirador.

As indumentárias festivas eram terno e gravata para os homens com toda brilhantina no cabelo a que tinham direito, e vestido de festa e muito laquê no cabelo que deixava o penteado duro e arpoado e com um cheiro bem característico.

O bar ficava a cargo do “seu” Moacir Almeida, muito simpático, e um dos garçons mais freqüentes e tradicionais era o “coquim”, servindo cerveja, e fartas doses de cuba-libre, Ron Bacardi, Merino ou Montilla com coca-cola para os homens que fumavam seu cigarro continental sem filtro. Os mais abonados encaravam um uisquinho.

AS TERTÚLIAS DE RADIOLA

Na ausência das festas ocorriam as tertúlias, geralmente aos domingos à noite após a missa. A velha radiola com duas caixas de som voltadas para o salão jogava na brisa da lagoa, Poly e sua guitarra havaiana e Ray Conniff e sua orquestra, que eram os long-plays de vinil mais executados. O Cláudio Amorim fazia às vezes de discotecário e as tertúlias corriam românticas, servindo de ponto de partida para muito namoro e até casamento na Messejana. Quando o namoro começava a engatar, se deixava a namorada ou pretendente a namoro em casa, já que morava todo mundo perto do balneário, na área urbana da Messejana dos anos dourados. Foram tantas as emoções.

Luiz Antônio Alencar - eterno Big Brasa, músico e jornalista.

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